Houve “alguém” que me disse, há poucos dias, que o primeiro texto que colocamos num blogue acaba, irremediavelmente, por influenciar o que as pessoas esperam no futuro desse mesmo blogue.
Perante este aviso, que me sobressaltou e fez pensar, cabe a mim avisar, portanto, que o meu primeiro texto não reflecte aquilo que pretendo vir a escrever neste espaço de verborreia desenfreada. Tal como na vida, deve haver tempo e espaço para tudo: desde o riso ao choro, do lamento sem sentido à força que torneia todo o obstáculo, da razão à irracionalidade, do sentir ao amar. A única coisa que renego para mim e para estas linhas é o ódio e a mesquinhez. Tudo o resto deve ser bem-vindo, mesmo que não concordemos com o que está escrito.
Esse mesmo “alguém” perguntou-me se não fora por medo (quiçá cobardia) que escrevera, como primeiro texto, uma sátira rocambolesca que de certeza não seria vítima de muitas críticas. “Tens medo que critiquem algo verdadeiramente teu, algo que te venha do fundo, e é esse medo que te leva a mostrar algo que não és, ou pelo menos só uma pequena parte do que representas enquanto ser humano”, afrontou-me a pessoa. “Aquele texto devia reflectir aquilo que és verdadeiramente e aquilo que queres escrever (com todas as virtudes e defeitos), mas não foi isso que fizeste, optaste pela opção que te era mais fácil”, alertou-me também.
Depois de matutar por alguns segundos nestas palavras, preparei-me para as contestar e, de certa forma, até acabei por fazer isso, mas de forma atabalhoada e incoerente. No entanto, a simplicidade do argumento que me foi atirado à cara, assim como às minhas ideias pré-estabelecidas, era demasiado verdadeiro e poderosamente simples para o negar por uma questão de estúpido orgulho: “Raios, acho que (ele/ela) tem razão. E agora, que faço eu?”
Eis então a resposta ao meu “que faço eu agora?”… ela está patente ao longo destas linhas que leram, e continuará ao longo dos textos que aqui colocar. Simplesmente, serei eu próprio, sem medos que leiam ou critiquem o que aqui disser, sem receio de mostrar aquilo que realmente penso. Mal seria do mundo se todos os humanos tivessem que agir de acordo com as preferências e exigências dos outros… e não as nossas!
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