3 de dezembro de 2008

A incrível biografia de um Parvo (Capítulo 1 - "Nascimento")

Esta não é a estória de um homem, ou quanto mais de uma mulher, de um rato também não será dado a nossa personagem não ser quadrúpede nem cauda ter. O que ele é já o identificaremos mais adiante (depois do autor deste escrito se lembrar de algo bem parvo para inventar). O nome da criatura é João Olho Torto e nasceu com três olhos e uma perna. Não me perguntem porque tinha um olho a mais na testa, ainda por cima vesgo, ou porque no lugar de dois membros inferiores tinha apenas um, bem debaixo dos testículos – escusado será mencionar as dores que o sujeito sofreu ao longo da vida, pois com tanto pulinho seguido os tintins ficaram mais esticados do que a pele facial da Lili Caneças.

Mas porque nasceu ele assim não cabe a mim responder, pois só a natureza, nas suas mais estúpidas decisões, poderá dar uma razão (ou então Deus existe mesmo e concebeu o raio da criatura com uma bebedeira omnipresente na cornadura). Mas comecemos pelo início.

Precisamente às 15 horas do 25º dia de Janeiro do ano de 2002, Eusébio da Silva Ferreira comemorava a o seu 60º aniversário, ao mesmo tempo que Bábá Olho Cego (era zarolha mas conta como se fosse cega) comemorava o primeiro dia de saldos na Baixa de Lisboa. Depois de ter pago 100 euros por um soutien negro bordado a dourado, de copa XL, Bábá contemplava umas cuecas que teriam servido para fazer aterrar um soldado inglês nas praias da Normandia. E foi mirando a bela cor bege daquele aquecedor de nádegas, que se deu conta do peculiar fenómeno químico que ocorria nas cuecas amarelas que vestia. “Estou molhada… merda… abriram-se-me as águas no primeiro dia de saldos”, blasfemou a pobre mulher, vendo a oportunidade que iria perder devido a uma queca sem protecção adequada que dera à nove meses atrás.

Irrompendo pelo Santa Maria adentro Babá Olho Cego lembrou-se do maior cuidado que uma mulher grávida poderia ter naquele momento: “Guardem o raio do soutien que me custou cem euros… ai Jesus… por favor guardem-mo”. E vendo que o artefacto de adorno aos seus marmelos (adoro o calão de sarjeta) estava salvaguardado, depois de uma promessa feita por uma enfermeira que usava a mesma copa de soutine, Bábá Olho Cego sentiu-se pronta para dar ao mundo mais um ser vivo que iria estar dependente, no futuro, do subsídio de desemprego. Estava tão radiante a pobre mulher (literalmente no sentido económico).

“Abra lá as perninhas e faça força… vá… tem que fazer ‘uch’ ‘uch’ com os pulmões”, disse o aperaltado médico que ia ajudar no parto. “Mas ó senhor doutor, como raio se faz isso?”, desabafou a dorida mulher, já de si triste por ter visto a suas cuecas amarelas (que lhe custaram 50 euros nos saldos do ano passado) serem cortadas por uma tesoura ferrugenta datada de antes do 25 de Abril. “Mas nunca viu o Serviço de Urgências com o George Clooney? Que raio de mulher é você? Nunca viu o que as grávidas fazem quando irrompem pelo diabo das urgências adentro, a gritar que nem umas peixeiras desvairadas?”, empertigou de forma pseudo-paternal o belo doutor de olhos azuis e cabelo negro besuntado a gel.

E foi imitando o que se fazia numa série de televisão yankee que Bábá tomou os procedimentos certos para cagar cá para fora… perdão… expelir para o belo mundo exterior, a estupenda criatura que se iria chamar João Olho Torto.

Olhando pela vagina adentro da Bábá Olho Cego, o médico esperou ver o animal humano a sair a qualquer momento. Esperou por uma cabecinha a sair, uma espécie de pequena bola empapada numa espécie de gosma intra-uterino… “um autêntico nojo digno de ser respondido com um vómito intra-estomacal”, como o próprio já confessara à enfermeira de rabo grande, com quem costumava dar umas belas ‘trancadinhas’ à revelia da sua cornuda esposa.
Mas a cabeça não surgia, tardava a dizer ‘cucu cá estou eu!’, exasperando o médico, que via ali um parto complicado que iria atrasar a sua ida ao Estádio da Luz para celebrar o aniversário do Deus Eusébio. “Logo hoje… raio da mulher… Esta gentalha pobre só se lembra de foder os meus planos nos dias em que me pagam algo à borla. E o jantar, ainda por cima, era lagosta. Que desperdício”.

Indignado com a demora, o furioso homem aproximou a boca da vagina da mulher prenha e gritou com toda a fúria que um desvairado benfiquista pode empreender, fazendo vibrar, com as suas ondas de som vocal, as bordas da vagina: “Sai daí para fora ó caralho!”. O grito e a consequente vibração nas bordas da cona (mais calão de sarjeta), teve o condão de fazer gemer Bábá Olho Cego, com toda uma lascividade que nunca antes sentira, mas o melhor é que finalmente algo parecia estar a sair dentro dela. O médico colocou um dos olhos no buraco que se dilatava e viu surgir daí o fenómeno que iria acabar, para sempre, com a sua profissão médica extravagantemente bem remunerada. Sem que tivesse tempo de se defender, uma violenta patada (género Bruce Lee), saía pelas bordas fora e atingia com fatalidade o desprotegido olho direito do belo doutor. Agora, em vez de dois belos olhos azuis, tinha um magnífico olho celeste e um olho esburacado onde cabia o nariz do Pinóquio.

A confusão instalou-se no bloco de p
artos, com todas as enfermeiras a tentarem, em desespero, ajudar o coitado do médico que se esvaía em sangue e gritava pela ajuda do Glorioso (era Deus e não o Benfica). Deixada ao abandono, Bábá Olho Cego só teve tempo de fazer um último esforço e empurrar para o frio e doloroso chão da sala o recém-nascido que iria abalar o mundo para sempre.

Cá estava ele… a chorar que nem um bezerro que perde a teta da mãe para mamar… a gesticular por todos os lados como o João Moutinho faz sempre que leva uma trancada… ele era… um Triolho Pernetus, uma nova espécie de ser vivo com três olhos e uma perna, o digno sucessor do ultrapassado Homo Sapiens.

Assim nascia João Olho Cego, o primeiro exemplar que iria demonstrar não ser preciso ter dois olhos e duas pernas para foder a vida de um médico rico e pomposo que, nas horas vagas, abalroa por trás as enfermeiras, e que… pior… não paga as cotas de sócio do Glorioso (agora sim, refiro-me ao Benfica). A justiça divina tinha finalmente vindo ao mundo para punir os arrogantes, os injustos… e os devedores de cotas do SLB. Assim começava a verdadeira estória do herói dos oprimidos… ou então de mais um tipo que nasceu para ser um falhado e um motivo de gozo para todos os miúdos e graúdos.
Não perca os próximos episódios parvos desta incrível saga...

3 comentários:

Tiago Godinho disse...

Olha lá...mas onde é que tu vais buscar estas merdas pá...
Essa tua cabecinha não anda nada bem...
Ainda assim gostei bue...fico à espera de novos episódios do que promete ser mais uma passatempo para o meu tempo livre que normalmente gasto com coisas sem utilidade nenhuma...como por exemplo escrever no meu blog ou ler os dos outros (agora com o teu incluido!!!)
Grande abraço.
Tiago Godinho

Anónimo disse...

lolol, sempre cómico, vê lá se este é para actualizar mais vezes pá! cá me vou entretendo também! continuação de boas escritas

Gabriel

Anónimo disse...

"com tanto pulinho seguido os tintins ficaram mais esticados do que a pele facial da Lili Caneças".

Genial!