13 de fevereiro de 2009

Teoria parvo-económica

Ontem à noite, enquanto escrevia mais um texto idiótico para este blogue (sem dúvida o pior de todos)… tive uma epifania.


Descobri que 20% das coisas que faço, escrevo e digo são autênticas palhaçadas e disparates que não tenho medo de mostrar em público… mas cheguei à interessante conclusão que são muito poucos aqueles que sabem de que se revestem os outros 80%. Daqui retiro um breve pensamento económico, da minha exclusiva autoria: “o peso de uma percentagem minoritária das acções de uma empresa corre o risco de ser sobreavaliado numa avaliação global externa, isto se os activos totais da empresa avaliada não forem dados a conhecer, com total transparência e vontade, ao mercado global interessado na empresa.”


Ou seja, tenho que começar a dizer menos disparates senão vão mesmo pensar que sou assim!

A incrível biografia de um parvo (Capítulo 3 – O Cientista Louco)

O Natal de 2020 jamais seria esquecido por João Olho Torto, não só vira o primeiro astronauta terráqueo a pisar solo marciano (um chinês de nome inpronunciável que rimava a Ping-Pong), como tinha recebido o seu primeiro “kit” de ciência. Enquanto olhava para a etiqueta que dizia “made in Portugal” (num claro sinal de que Portugal finalmente atingira o estatuto de grande potência do Terceiro Mundo no fabrico de descartáveis), o nosso herói perneta começou a labutar na fórmula química que iria permitir-lhe ter duas pernas, dois olhos e dois falos: a entidade humana mais harmoniosa e perfeita que poderia existir.


A felicidade transbordava-lhe pela face como a água pelas ruas de Alcântara em dias de chuvada, pensando excitadamente nas dezenas de rapariguinhas, com aparelhos dentários e estúpidos totós à guiador de mota, que iria seduzir para a sua cama de nerd de colchão cheio de marcas de chichi. “Agora vou ser alguém normal, mais nenhuma mulher me rejeitará”, grunhiu numa ovação de auto-louvor, imaginando as maravilhas colossais que dois falos descomunais podem fabricar.


Escusado será dizer que essas suas experiências foram um fracasso retumbante. O resultado mais óbvio foi um testículo que mirrou e um outro que inchou. Agora, além de continuar perneta e triolho, era também um “autêntico larilas”, como lhe chamavam os colegas de escola e vizinhos ao verem-no jogar futebol com os calções apertados. Frustrado por não poder ter dois falos como um mutante de Chernoby, e estar reduzido à condição de ser monotesticular, João Olho Torto esqueceu aquelas que poderiam vir a ser as suas futuras extraordinárias performances sexuais e dedicou-se à ciência pura e dura, passando noites em claro no seu mini-laboratório e a brincar com o seu novo testículo inflacionado nos momentos de pausa (num excelente exemplo de catarse contra o stress intelectual).


Passados três anos, naqueles que foram os seus “annus mirabilis” (não confundir com ânus maravilhoso), magicou aquela que viria a ser o maior invenção da humanidade: a máquina sub-atómica de peidos fedorentos. Em breve, Hiroxima, Nagasáqui e Chernobyl seriam ultrapassadas por um desastre ainda maior, especialmente para o olfacto e os pelos do nariz.


Constantemente rejeitado pelas rapariguinhas da escola e sempre acossado ou pontapeado pelos rufiões endiabrados da turma, decidiu aplicar neles a sua mais recente experiência maléfica. Em plena aula de Ciência Sexual Avançada (sim, em 2023 esta disciplina foi tornada obrigatória) e enquanto a professora estava de costas para os pequenos terroristas, João Olho Torto acabava de levar em cheio com uma escarreta, expelida por Zézé Cospe-Cospe, mesmo em cheio no olho cimeiro. De forma serena e conspícua, colocou uma mola da roupa no nariz e sacou da mochila algo que se parecia com uma buzina de camião transformada em pistola de aspecto pouco letal (as aparências sempre enganam). Tapou a boca e premiu o gatilho, fazendo ecoar pelas paredes da sala de aula um barulho ensurdecedor que fazia lembrar o brado de acasalamento de um homem da Brandoa para com uma boazona de Cascais.


Espantados com aquele som horrivelmente poderoso, os jovens terroristas escolares não conseguiram escapar a um intenso mau cheiro que os pintou com as mais variadas cores. Zézé Cospe-Cospe foi a principal vítima, de pele verde e às manchas vermelhas mais parecia um sapo com sarampo, caindo com a cadeira para trás e esperneando-se como se fosse um batráquio dentro de água. A vingança estava feita, congratulou-se João Olho Torto, mas a taxa de vítimas inocentes fora demasiado alta: a um canto da sala a professora BumBum Racha fazia um estranho pino para se libertar do caudal de vómito que escorria pela goela (escusado será dizer que a acrobacia deixara ao léu o facto de não usar cuecas debaixo da saia curta), enquanto o resto da turma enfiara a cabeça dentro das mochilas, aproveitando o efeito avestruz para enfeitar com pedaços de verde líquido os impecáveis livrinhos novos que tanto pilim tinham custado aos papás babosos.


Mas os nefastos efeitos colaterais ficaram bem mais visíveis e cheiráveis quando a intensa nuvem de metano (com cheiro a feijão português podre, esse elemento secreto usado pelo nosso cientista do apocalipse), assumiu proporções maiores do que as imaginadas e espalhou-se por toda a escola, conseguindo escapar para além do recinto da mesma. Foi maravilhoso ver os pobres explorados dos centros de call-center, existentes nas imediações mais próximas, a fugir do local de trabalho como o Belmiro de Azevedo foge dos aumentos salariais (ou o diabo foge da cruz, se preferirem). Durante duas semanas os militares selaram todo o espaço urbano contaminado e efectuaram testes para ver se aquele tinha sido mais um ataque terrorista à precariedade laboral. Chegaram à conclusão que nem o mais perigoso dos Bin Ladens teria recorrido à bufa portuguesa para fazer um ataque tão cobarde e vil.


Inadvertidamente, o nosso jovem cientista ganhara o epíteto de louco perigoso, uma ameaça para o mundo ocidental bem cheiroso (amante do Calvin Klein), criando a arma mais terrífica do século XXI, a bomba sub-atómica dos peidos fedentos, versão “feijão português fora do prazo de validade”.


Temendo ser preso pela Interpol ou a CIA, por terrorismo juvenil, acabou-se por achar recrutado por agentes da espionagem chinesa, dois tipos de aspecto franzino que se pensava serem dois meros jogadores de futebol das camadas juniores do Benfica. As voltas que a vida dava.

Mascarado de agente FIFA dos dois pretensos jogadores, fugiu para Beijing e tornou-se num cientista louco, trabalhando num laboratório secreto onde suas as três refeições diárias envolviam ou chop-suey de vaca ou caril de gambas.


As consequências foram terríveis… e anos mais tarde, de idade madura e já refugiado numa qualquer cabana junto à praia (ouvindo estúpidas canções do José Cid que envolviam bananas), descobriu-se incapaz de comer carne e marisco. Uma autêntica tristeza… dado que para além de ter um só testículo, não conseguia comer o tradicional manjar do homem de barba rija: carne e marisco… Decididamente… era um pseudo-maricas.


No entanto, o consolo chegava todas as noites, enquanto contemplava o estrelado céu que tantos sonhos criava, lembrando-se que lá bem no alto uma nave espacial, movida a peidos de feijão português, levava os primeiros astronautas chineses às luas de Júpiter, para as povoar… e abrir as primeiras lojas de bugigangas inter-planetárias.


Enquanto aguardava pela velhice, na sua cabana copiada à letra de uma música de um pretenso cantor português semi-cego (provavelmente o José Cid foi um clone falhado do Ray Charles), João Olho Torto pensava no espaço salpicado com estrelas, no seu foguetão mal-cheiroso e regozijava-se com a revelação de que afinal a sua vida até valera a pena, tanto mais não fosse… porque coçar um testículo sempre lhe daria menos trabalho do que coçar dois. Compensara ser-se diferente.